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quinta-feira, 23 de julho de 2015

PROTETORES X CRIADORES

Alexandre Arruda

De um lado um grupo que sofre diariamente para resgatar, salvar e manter tantos e tantos cães abandonados, mal tratados e largados a própria sorte, são os chamados PROTETORES. Do outro o grupo dos que estudam história, função, características físicas e comportamentais, saúde e se dedicam à genética, investem muito dinheiro e também ganham dinheiro com “cães de raça”, os chamados CRIADORES. 
Essa briga é diária, e quase todo Protetor acha um absurdo pagar para se ter um cão, afinal não se compra um amigo. Acham um absurdo comprar um cão se há tantos para serem adotados.

Fevale Luke Skywalker, Dogue Alemão do Fevale Kennel
Já os criadores escolhem uma raça por suas características, e querem ver o crescimento da qualidade dessa raça. Importam padreadores e matrizes, estudam, vão a exposições, investem muito tempo e dinheiro em estudos e em sua criação. E é justo, vendem os filhotes frutos de seu trabalho a lares selecionados de acordo com suas crenças e critéios.
Na minha opinião, se revoltar com alguém que vende ou compra um filhote pois há vários para serem adotados é o mesmo que se revoltar com um casal que resolve ter um filho. Afinal também há muitas crianças para serem adotadas.
Há quem queira uma determinada raça, por suas características físicas e/ou comportamentais e é justo que essa pessoa possa tê-la, contanto que a trate com responsabilidade, carinho e respeito. Há também aqueles que preferem a adoção, pois não fazem questão dessa ou daquela raça e apenas querem um bom companheiro, muitas vezes até preferem fugir das traquinagens de um filhote e optam pela adoção de um adulto.

Sem a menor sombra de duvidas, há espaço para Criadores e Protetores viverem em perfeita harmonia. Alias, ambos deveriam trabalhar de mãos dadas para combaterem os abandonos e maus tratos.

Na verdade, no mundo ideal, só deveriam haver os Criadores. Não deveria em hipótese alguma haver a necessidade do trabalho dos Protetores. Mas é lógico, isso é uma Utopia.
Mas se há espaço para Protetores e Criadores, então porque essa rincha?
Essa rincha existe porque há uma clara confusão entre Criador e Fazendeiro de Filhotes. O que se deve realmente combater é a criação feita pelas fabricas de filhotes. Pessoas irresponsáveis que não se preocupam com melhoramento genético, com disseminação de doenças hereditárias, com temperamento. Não se preocupam com a saúde de seu plantel e muito menos com o destino de seus filhotes. Preocupam-se apenas em fabricar filhotes e lucrar com isso. Normalmente criando apenas raças da moda e muitas raças ao mesmos tempo. Tirando crias indiscriminadamente, levando à exaustão suas matrizes e padreadores e descartando-os quando não tem mais serventia. Isso sem contar as condições em que os mantém.  

Protetores, Criadores, Cinófilos, autoridades e população em geral deveriam se unir para evitar essas fabricas de cães. Isso sim deveria ser combatido. São essas fabricas que geram anualmente milhares de filhotes, dos quais uma grande parte vai parar nas ruas e, se derem muita sorte, em algum abrigo.

Fabricantes de filhotes vendem filhotes sem o menor critério, abandonam matrizes e padreadores quando estes não servem mais. São eles que realmente que geram tanto trabalho aos Protetores e não os criadores sérios.

Criadores sérios não vendem em “feirinhas”, em Pet Shoppings, não vendem no mercado livre e nem na rua. Criadores sérios são capazes de dizer não a um comprador se acharem que este não tem o perfil para sua raça. Criadores sérios fazem contratos de compra e venda para tentar garantir um bom tutor para seus filhotes definindo responsabilidades a comprador e vendedor.  Um criador sério sempre recebe de volta o cão caso não o comprador não o queira mais e procura um bom lar adotivo para ele.
Outro mal que deve ser combatido é o comprador de impulso. Ele que compra na feirinha porque o filho pediu ou compra a raça da moda sem nem ao menos saber se tem o temperamento que ele gostaria. É esse comprador que acaba colocando o animal na rua no primeiro xixi fora do lugar ou na primeira ida ao veterinário.

Mas não achem que só existem maus criadores e que todos os protetores são bons. Também há falsos protetores, há também aqueles que se escondem atrás de cães abandonados para poder lucrar com doações e ajudas e nem sequer ajudam animal algum. Há muitos por ai também, e esses prejudicam a causa e credibilidade do trabalho dos protetores sérios tanto ou mais do que os que abandonam os animais.

Tobby, cão do Projeto Aumigão / GAPA¹
As autoridades deveriam criar mecanismos para punir quem abandona, proibir feirinhas e vendas em Pet Shoppings (já existem leis regulamentando isso, falta apenas serem colocadas efetivamente em pratica), fiscalizar condições de trato e higiene em canis e abrigos e prender quem maltrata os animais, seja este criador, protetor ou apenas proprietário.
Por isso volto a afirmar, há espaço para Protetores e Criadores, para Compradores e Adotantes o que não deveria mais haver é espaço para esses “fazendeiros” e para pessoas que acham que serem vivos podem ser descartados como mercadoria velha (Leia Mercado Negro).

Nessa história não há errado. Há espaço para ambos, Criadores e Protetores. Desde que sérios e comprometidos com o bem estar daqueles que estão sob sua tutela. Repito, errado é tentar impor uma condição a outro, se ambos realizam um trabalho sério há sim espaço para Criadores e para Protetores.



¹ Foto por Clecienne Giacomin