Fevale Pet Boutique & Salon

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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Abandono de Raça

Diariamente o facebook é bombardeado com publicações sobre abandono, descaso e maus tratos. Já se tornou corriqueiro o trabalho e inciativa das mais diversas organizações que procuram amenizar os índices dessas ocorrências.



Quando se fala de "cão na rua", "gato abandonado" a primeira imagem que nos vem a cabeça é de um SRD ou vira-latinhas. Mas e quando isso acontece com um cão ou gato de raça??

Muito se fala sobre resgate e adoção de SRD's e muito pouco sobre o resgate e adoção de cães e gatos de raça. Isso acontece pois geralmente, todo mundo quer um cãozinho de raça (especialmente se for um shih tzu, yorkshire, maltês, etc) ou um gatinho peludo, melhor se for persa ou angorá . Quando é anunciado que um cão ou gato de raça esta para adoção, uma chuva de adotantes aparecem com a mesma resposta EU QUERO! Sem contar quando a mesma vem acompanhada de um QUANDO POSSO BUSCAR?


Chow Chow resgatado de Canil abandonado em Taquaritinga, SP


As pessoas tem que entender que adotar um cão de raça não é fácil. Não pelo fato de ele ter uma raça, mas porque todas as raças tem comportamentos e características diferentes e ele só será doado para famílias compatíveis com as mesmas. O mesmo se aplica a gatos de raça, muitos com predisposição a problema genéticos.
Esse é um dos principais motivos do abandono de raça. A pessoa compra pela aparência do cão ou gato, ou por estar na moda, sem antes conhecer a raça, os cuidados que se deve ter com ela e principalmente suas características e quando o cão ou gato começam a ser tudo aquilo que a família não imaginava, eles acabam sendo abandonados. Mas esse é só um dos fatores, existem outros que contribuem para esses casos, como por exemplo a criação de fundo de quintal. Muitos protetores criticam a compra de animais devido a esses criadores irresponsáveis que mancham a índole da criação séria. Estes criadores muitas vezes mantém suas matrizes e padreadores em péssimas condições, sem se preocupar com sua saúde física e emocional, simplesmente visando o lucro que terão com a próxima ninhada. Eles vendem para qualquer um, não analisam, não fazem perguntas, apenas vendem (o que leva ao fator anterior). Outros acabam perdendo seus cães quando os maus tratos são descobertos e essas matrizes e padreadores, na melhor das hipóteses, entram para a fila de adoção.

E o que vem a seguir ?
Quando digo FILA DE ADOÇÃO quero dizer que o animal irá para um abrigo, lar temporário ou até mesmo para as ruas. Se ele tiver sorte, será recolhido por um protetor ou por um grupo de proteção que irá encaminhá-lo para uma família que possa atender todas as suas necessidades. Poucos sabem, mas aqui no Brasil, nós temos grupos que resgatam e dão auxilio a determinadas raças. Essa prática nos EUA e em parte da Europa é muito comum, já que o trato com pets, tanto em cuidados e leis, é muito mais avançado que no nosso país.
Tive o prazer de conversar com alguns desses grupos que me disponibilizaram informações valiosíssimas para a composição desse material. O trabalho que eles realizam é fantástico! Abaixo você pode conferir alguns desses projetos.

Grupo Lina de Ajuda e Apoio aos Galgos




Pra quem não sabe os galgos (ou lébreis) são um grupo de cães originalmente criados para caça, que trazem consigo algumas características em comum, entre elas, o físico, a agilidade e a visão apurada.
Lina era uma cadelinha da raça 
Italian Greyhound usada como matriz e deixada de lado pela dona. Ela contraiu leishmaniose e uma semana após ser resgatada do canil onde servia apenas como reprodutora, faleceu. Por conta dessa triste história que o Grupo Lina surgiu, levando o nome dessa guerreira. Conversei com o Bruno Alberto, administrador da página do grupo e responsável pelas fichas de adoção e segundo ele, o principal fator de abandono é a DESINFORMAÇÃO.


"As pessoas compram um cão, esperando certas características e
quando se deparam com os fatores, comportamento, despesas e doença,
acabam desistindo e abandonando os cães!"

O Grupo auxilia cães do Brasil todo, e é usado para encontrar parcerias na hora da reabilitação, castração, vacinas, etc. Para as doações, é feito um processo rigoroso de escolha, existe uma ficha cadastral para os possíveis adotantes e estes passam por entrevistas com perguntas e explicações sobre diversos fatores, incluindo temperamento, características e doenças. Ainda segundo Bruno, o Whippet é o galgo com maior índice de abandono.
Para conhecer um pouco mais do projeto e acompanhar os trabalhos do Grupo, neste link você acessa a página deles no Facebook:
https://www.facebook.com/grupolinadeapoioaosgalgos/


Bull Terrier Rescue BR


Há 11 anos convivendo com a raça, Andréia Mattos teve a iniciativa de criar a página e o grupo no facebook por conta de diversos casos de abandono da raça, onde o cão era abandonado e após isso entregue a adotantes, sem critério algum, que por má fé usavam o cão para procriação, assim, tentando ganhar dinheiro as custas do animal. Há cerca de 3 anos no ar, a Bull Terrier Rescue BR tem como objetivo ajudar e encaminhar os cães que por algum motivo foram abandonados. Para Andréia grande parte do abandono acontece devido a compra desenfreada de pessoas desesperadas por um filhote da raça, muitas vezes gerados por cruzas irresponsáveis que levam a desvios temperamentais e doenças genéticas.

"Pessoas que não tem o perfil para dono de Bull compram um filhote, não 
conseguem educa-lo da forma correta, não querem gastar com 
adestrador e ai acabam abandonando porque é mais fácil."

Os animais divulgados pelo grupo são todos castrados, para evitar procriação indesejada e irresponsável. Andréia ainda afirma que por conta desses tipos de cruza muitos espécimes da raça estão nascendo doentes e com traços de agressividade, o que não faz parte do padrão da raça, sendo essa mais uma causa do abandono.
Conheça mais da iniciativa acessando a página do Facebook:
https://www.facebook.com/bullterrier.rescue.br


Fica Cãomigo
O blog e projeto nasceram no ano de 2011 para divulgação do trabalho de conscientização sobre o abandono de animais feito por Annita Petry, orientadora educacional e especialista em deficiência mental. Para ela, o abandono de cães de raça aumentou devido ao imenso comércio informal de pets. Annita resgata cães de maus tratos e de rua há mais de 10 anos e já doou centenas deles, TODOS CASTRADOS. Aqui você pode conferir a história da Demy, uma maltês que foi comprada e depois doada diversas vezes até chegar a Annita quase morrendo: http://www.ficacaomigo.com/2012/04/caes-de-raca-abandonados-maltes.html


"Abandonos sempre aconteceram e acontecem pois é cultural
essa falta de consciência sobre o quanto os animais sentem. Todos!
Assim, quando ficam velhos, rua. Se latem - rua! Se roem - rua! 
E tudo isso é normal em cães. Assim como filhos, 
é opcional e nem todo mundo cria com responsabilidade." 


O projeto faz um importante trabalho de divulgação de histórias como a da Demy e da relevância da castração. Aqueles que se interessarem pela adoção, devem enviar um e-mail para o blog informando localidade e passando os devidos contatos para esclarecimento de dúvidas. Atualmente, Annita possui 18 animais sob sua tutela.


Aqui você acessa o blog http://www.ficacaomigo.com/ e pode conferir um pouco mais do trabalho da Annita!




Criação Responsável
Como da pra perceber o princípio básico do abandono de raça é quando uma pessoa DESINFORMADA compra um animal de uma pessoa (não da pra chamar de criador) IRRESPONSÁVEL.
Bons criadores evitam ao máximo que sua prole vá parar em um abrigo, 
bons criadores, geralmente, doam seus padreadores ou matrizes idosos para lares confiáveis, onde tenham uma estadia digna, bons criadores recolhem o animal quando o dono, por algum motivo, o rejeita ou não pode ficar mais com ele. Para isso, existem clausulas nos contratos de venda que evitam um caminho indesejado caso a família não queira mais o filhote, atestando que, independente do motivo, o cão retorne ao criador.

É o caso da Ana Clara Caetano, responsável pelo Canil She Wolf especializado na criação de Pastores (Alemão e Suíço). Segundo ela, é muito difícil ocorrer o abandono em relação a suas raças e quando acontece, é devido a três fatores:

  1. Agressividade;
  2. A pessoa decidiu "economizar", comprou um mestiço e agora não quer mais;
  3. Não se adaptou a raça (por conta do tamanho, despesas, exercícios ou não se deu bem com os outros cães da casa).

O canil só passou por um caso onde o filhote foi devolvido, mas não foi por questões de rejeição ou adaptação, na verdade os reais motivos não cabem nesta matéria.
Ana ainda faz questão de manter contato com todos os seus clientes, atestando ainda mais a seriedade da sua criação.
Abaixo segue uma parte da cláusula dos contratos do canil She Wolf para vocês terem uma noção:
11) Caso o COMPRADOR, e isso por qualquer motivo e durante toda a vida do animal, não possa mais zelar pelo mesmo, fica expressamente proibido a este, doar, vender, trocar ou eutanasiar o animal sem consentimento prévio do VENDEDOR. Devendo o COMPRADOR devolver o animal ao VENDEDOR que tomará as devidas providências visando ao bem estar do mesmo.




Outra criadora que segue as mesmas condições é a Heidi Mathias, do gatil Sons Of Horus especializado na raça Maine Coon, sua clausula exige que o comprador entre em contato para que juntos possam resolver a situação da melhor forma possível, seja ela adquirindo o gato ou entrando em contato com alguém de sua confiança para que este adote o gato e que more perto o suficiente para ela monitorar o bichano.
Mesmo não tendo passado por nenhuma situação dessas, Heidi possui uma gatinha que foi rejeitada após ter sido comprada em um pet shop. 

"Porque quando um gato se sente rejeitado (ele se apega ao dono) pode entrar em depressão e parar de comer até morrer."


Íris


Esse foi o caso da Íris que chegou para Heidi um tanto debilitada. Após o incessante trabalho da Heidi, a gatinha voltou a comer e hoje vive muito bem na companhia dos outros Maine coons. Ísis é HCM Positivo¹, porém é muito bem assistida por sua dona e participa de pesquisas em Cardiologia Felina na USP.



Falando em Gatos
Aqui no Brasil nós não possuímos tantas raças de gatos sendo criadas como nos outros países, especialmente nos EUA. Por lá, existem vários grupos que resgatam gatinhos das mais diversas raças que foram abandonados. O motivo é basicamente o mesmo, criação irresponsável e falta de conhecimento.
A maior incidência dessas abandonos, acontece quando a raça é HIBRIDA, ou seja, cruza de um felino selvagem com um gato doméstico, caso dos Bengals e dos Savannahs. Essas raças podem apresentar laços de temperamento e comportamento fora do padrão por conta de sua genética selvagem, o que gera os casos de abandono, por esse motivo, vários criadores dessas raças mantem projetos de resgate, como estes:
Bengal Rescue Me! (No site do projeto é possível ver um mapa com os bengals para adoção em cada um dos estados dos EUA);

Outros Projetos:
Fevale Hunter Puppy



O Fevale Hunter Puppy é um projeto de consultoria canina do groomer Alexandre Arruda criado para indicar as famílias a raça que mais se adequa à elas. Através de criteriosas pesquisas, até mesmo a respeito do gosto familiar, é escolhida uma raça que se enquadre nos padrões da rotina da mesma, visando seu temperamento e suas características.
O projeto foi criado quando o groomer, que já esta há mais de 10 anos na cinofilia, começou a perceber o aumento do índice de abandono de cães de raça, por diversos motivos, incluindo doenças genéticas.
Esse projeto deu origem ao Fevale Kennel, especializado na raça Dogue Alemão e ao Fevale Pet Boutique & Salon. Como norma para evitar o abandono, Alexandre faz uma criteriosa seleção dos tutores de seus filhotes, atestando até mesmo em contrato que a doação do mesmo só é permitida após contato com o mesmo, que pessoalmente irá selecionar uma nova família.
https://www.facebook.com/fevalehunterpuppy

SOS São Bernardo
Organização dedicada ao resgate e doações de cães da raça São Bernardo
https://www.facebook.com/sossaobernardo2014/

Boxer Rescue - BR
Grupo do Facebook dedicado a casos de abandono e doações de cães da raça Boxer
https://www.facebook.com/groups/boxer.rescuebr/


Esse é um assunto amplo, complicado e desgastante. Infelizmente não é fácil de combater esse mal da nossa sociedade, o crescimento do mercado pet acaba por dar maiores chances para esse mercado irresponsável de pets, que geram maus tutores e consequentemente casos de abandono. Espero que essa matéria possa abrir os olhos daqueles que por muitas vezes não entendem quanta responsabilidade deve ser empregada na criação de um animalzinho, mesmo que hoje seja sobre os cães de raça, a mensagem vale para aqueles que também adotam os nossos queridos vira-latinhas.
Independente do animal ter ou não uma raça, tenha em mente todos os cuidados que você deve ter com ele, as responsabilidades e se a sua rotina permite todos esses fatores.
Pesquise, conheça o criador (ou protetor se você não faz questão de um animal de raça), entenda as necessidades da raça, adote um cão ou gato de raça (existem muitas vantagens em se adotar um animal adulto) mas não compre por impulso, assim você estará ajudando a diminuir esses índices de abandono e dando um lar cheio de amor e carinho a quem mais precisa!


"Nós, seres humanos, estamos na
natureza para auxiliar o progresso
dos animais, na mesma proporção
que os anjos estão para nos auxiliar.
Portanto quem chuta ou maltrata um
animal é alguém que não aprendeu a
amar."
Chico Chavier




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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Criação Indoor

POSSE RESPONSÁVEL
Clecienne Giacomin

GATO NÃO PRECISA TER ACESSO A RUA



Para muitos tutores os Gatos são animais que devem ser criados livres, podem e devem ter acesso a Rua, aos Telhados, saírem para caçar, dar umas voltas, namorar, fiscalizar o território, para fazer as suas necessidades no quintal do vizinho e voltarem quando desejarem. Este pensamento era dominante há uns 15/20 anos e ainda é muito comum entre pessoas mais velhas, em comunidades menores ou longe dos centros urbanos. Mas, hoje com o crescimento das cidades e a expansão da urbanização vão crescendo os perigos a que estão expostos os Gatos criados soltos e, é lógico, nosso conhecimento sobre os hábitos felinos e sua saúde também cresceram.
Hoje sabemos que permitir que gatos tenham acesso livre a rua é perigoso e prejudicial. Na rua os gatos estão expostos a vários riscos e podem nunca voltar para casa, não porque arrumaram outra casa, mas por que morreram e seus tutores nem vão ficar sabendo. Quantas histórias sobre Gatos que foram dar suas voltinhas e nunca mais voltaram, eu mesma tenho algumas.


RISCOS REAIS E IMEDIATOS
1)   Atropelamento – o aumento do número de carros nas ruas é uma realidade, o que aumenta a possibilidade de atropelamento de Gatos que cruzam ruas, avenidas ou ficam em beiradas de passeios. Gatos são animais pequenos e que muitas vezes não são vistos pelos motoristas até que seja tarde. Há ainda o agravante de que a noite os faróis dos carros podem provocar uma “cegueira” momentânea ao bater nos olhos do Gato, e este simplesmente estanca bem no meio da rua.

2)   Maus Tratos – é notório entre protetores e amantes de Gatos que nem todas as pessoas gostam ou mesmo respeitam os Gatos, são relatos e mais relatos de animais vítimas de maus tratos nas ruas. Crianças colocam bombinha em seus rabos; pessoas lhes furam os olhos, caçam implacavelmente até mata-los ou simplesmente os machucam seriamente e os deixam morrer lentamente. Muitos fazem competição de tiro ao alvo em gatos correndo ou que escalam os muros de suas casas.



3)   Envenenamento – sim, são vários os casos de envenenamento, sabemos que muitas pessoas não gostam de gatos e nem mesmo de cães. A internet está cheia de relatos sobre envenenamento em massa de animais de criação. Infelizmente não conseguimos identificar os psicopatas que residem por perto de nós. E há ainda o envenenamento acidental quando alguém distribui venenos para matar ratos, por exemplo.

4)   Ataque de Cães – nem todo cachorro é amigável, muitos foram criados de forma doentia por seus tutores e atacam tudo o que se move por perto deles: gatos, outros cães, crianças, por vezes até os próprios tutores se tornam vítimas de suas armas de matar com presas. E no caso do Gato ser criado junto a cães amigáveis, o perigo aumenta, pois ele não irá identificar o Cão como um inimigo em potencial.



5)   No caso de Gatos não castrados teremos ainda Gravidez indesejada, mesmo que no seu caso o Gato não castrado seja um macho, ele vai sair pelo mundo procriando indiscriminadamente, aumentando o número de filhotes e gatos nas ruas. No caso de uma fêmea não castrada, ela vai voltar para casa, ter filhotes e você será o responsável por estas vidas, seja criando a todos sobre o mesmo teto ou arrumando lares seguros para os filhotinhos. Venhamos que não é fácil doar gatinhos, o que só aumenta o número de abandonos.



6)   Brigas com outros Gatos – o Gato é um animal extremamente territorialista, as Comunidades de Gatos urbanos são extremamente complexas, agressivas e hierarquizadas. Há um Gato Alfa dominante (normalmente um macho) e que dificilmente será um Gato domiciliado. Cada Gato, machos e fêmeas, possui seu território e briga por ele; existem caminhos que podem ser usados por uns e não por outros. Um gato que não conheça as estruturas da Comunidade irá arrumar muitas brigas nas ruas, poderá se machucar seriamente (as unhas dos Gatos são bem afiadas e podem até cegar ou cortar seriamente a pele de um oponente).

7)   Nas Ruas os gatos também estão sujeitos a uma série de doenças. Estas podem ser contraídas nas brigas com outros gatos, através da caça e no próprio ambiente contaminado. São viroses, infecções bacterianas e por protozoários e outros parasitas.



·        Numa inocente voltinha nas vizinhanças um gato pode voltar para casa infestado de pulgas e de carrapatos. Quem nunca teve que lidar com uma infestação de pulgas ou de carrapatos em casa? É caro e trabalhoso acabar com estas infestações.
·        Rinotraqueíte, causada por um vírus, ataca principalmente o sistema respiratório dos felinos. Seus sintomas são olhos e nariz com muita secreção. É muito comum resgatar ninhadas inteiras de filhotes com rinotraqueíte. Mesmo depois de tratada a doença pode acompanhar o felino pelo resto da vida e manifestar em resfriados frequentes, inflamações respiratórias sempre que ocorre uma queda do sistema imunológico.
·        Esporotricose, também conhecida como doença da roseira ou doença do jardineiro, é causada pelo fungo Sporothrix schenckii, geralmente habita o solo, palhas, vegetais e também madeiras, podendo ser transmitido por meio de materiais contaminados, como farpas ou espinhos. É uma micose que pode afetar animais e humanos. O Estado do Rio de Janeiro vem tendo um aumento de casos da doença entre os animais, especialmente entre os gatos, desde o final da década de 1990.
·        Sarnas, causadas por ácaros que se instalam nos folículos pilosos, principalmente nas orelhas e na face. Há também a sarna de ouvido, que forma aquela sujeira preta dentro dos condutos auditivos. As sarnas causam muita coceira nos animais infectados e pode levar a queda de pelos e até ulcerações.
·        Toxoplasmose, causada por um protozoário, o Toxoplasma Gondii, é uma zoonose, ou seja, pode contaminar pessoas e animais. Para maiores informações leia o nosso texto Gravidez e Gatos.
·        Verminoses são doenças causadas por vários tipos de vermes que se alojam principalmente no intestino, mas podem atacar outros órgãos como esôfago, estômago, coração, pulmões, rins e fígado. Conforme o grau de infestação, a demora em iniciar o tratamento e a doenças preexistentes, pode levar a morte do animal.  O diagnóstico de todos os tipos de vermes é feito por meio de exame de fezes ou da identificação dos mesmos (muitas vezes as larvas dos vermes saem pelo anus do animal). A vermifugação pode ser instituída como uma rotina preventiva duas vezes ao ano, ou ser realizado exame de fezes e realizar o tratamento caso necessário. Converse com o seu médico veterinário para definir a medicação, doses e frequência.
·        Giárdia e o cisto Isóspora, são protozoários que também são transmissíveis ao homem ( e do homem aos animais também), devem ser tratados com antibióticos específicos. A Giárdia pode causar diarreia em filhotes ou fezes de coloração esverdeada ou com sangue nos animais adultos. O Isospora pode causar diarreia líquida e com sangue em animais jovens. A infecção por estes protozoários associadas a outras doenças pode agravar o quadro clínico do gato doente.
·        Hemobartonela é outro protozoário, é transmitido pela pulga e irá parasitar o sangue, especificamente as hemácias, ocorrendo um quadro de anemia.
·        Clamidiose é causada por uma bactéria e causa uma conjuntivite no gato, podendo estar associado a um quadro de rinotraqueíte.
·        Panleucopenia é um distúrbio gastrointestinal causado por um parvovírus, ainda que tratável é fatal na grande maioria dos casos. Acomete em especial filhotes e gatos com menos de 12 meses. Pode ser designada ainda por  laringoenterite contagiosa e agranulocitose infecciosa.
·        E as temidas PIF (Peritonite Infecciosa Felina), FeLV (Vírus da Leucemia Felina) e FIV (Vírus da Imunodeficiência Felina) ou AIDS Felina. Estas três doenças muito comuns em Gatos não possuem tratamento eficaz e nem vacinas que promovam uma imunização 100% eficaz. São transmitidas nas brigas, através das mordidas, da saliva, do sangue contaminado e do contato sexual. São extremamente contagiosas entre os gatos, mas não passam para os seres humanos.


DENTRO DE CASA

Os Gatos são LIVRES dentro de casa, no território que conhecem e onde se sentem seguros. São animais curiosos e sempre irão querer passar por portas ou janelas abertas. Tranque um cômodo de sua casa e ele logo irá virar o centro de atenção dos Felinos da casa, o lugar mais desejado e onde eles irão querer entrar todas as vezes que a porta for aberta. Gatos adaptam-se muito bem aos ambientes internos, inclusive aos menores apartamentos, provável razão de sua expansão como animal doméstico nos dias atuais. Como o espaço dos felinos não é apenas horizontal, eles vão escalar moveis, subir em prateleiras, enfiar por baixo dos móveis (quando não se enfiarem por dentro dos móveis). Gatos são animais que precisam de atividades, lhes dê um ambiente com possibilidade de exercitar seus músculos e suas aptidões de caça e terá animais felizes e seguros.

CASTRAÇÃO MAIS CRIAÇÃO INDOOR
Somente a castração não irá assegurar que o gato não irá para Rua.
Muros altos, Janelas e portões telados são a garantia de que eles irão permanecer dentro de casa, seguros e felizes.
Apartamentos devem ter todas as suas janelas teladas, bem como basculantes e áreas de varanda.
Ao termos um Animal somos responsáveis pelo seu bem estar e segurança.
Em uma simples ESCAPADINHA ou VOLTINHA seu gato pode ser atropelado, envenenado, vítima de maus tratos, morto pela crueldade de algum ser humano.
GATOS CASTRADOS E SEM ACESSO A RUA VIVEM DE 15 A 20 ANOS OU MAIS.
Como se diz:
 tudo o que pode ser evitado não é acidente, é irresponsabilidade.

Linna

Aqui em casa as Damigatas, minhas seis Gatas, estão no que denominamos liberdade vigiada. Possuem acesso ao jardim sob a supervisão de um Adulto responsável, duas delas (Morgannah e Linna) saem ao Jardim durante o dia e não precisam de vigilância constante; a Kiki e Pyetra saem ao jardim e são monitoradas ainda que em curtos espaços fiquem sozinhas no jardim, já a Paola e a Maehda somente com acompanhamento constante, pois já subiram para o telhado e não conseguiram descer. Como resido em uma região de pouca densidade populacional e a grande maioria das casas ainda são de veraneio, a preocupação com vizinhos e carros é um pouco menor, mas ainda assim, todas elas dormem dentro de casa. Nos últimos meses estamos estudando o melhor local para a instalação de uma área de Gatil externo com ligação com a casa. Quando conseguirmos definir o projeto, mostro para vocês. Abaixo deixo algumas ideias pinçadas da internet.

Paola

Muros Altos com telas inclinadas impedem acesso a Rua e a casa de vizinhos:



Áreas Externas Fechadas e teladas dão ótimos Gatis e podem ter acesso a casa.



Com exceção das fotografias da Linna e da Paola no jardim (feitas com iPhone), todas as demais foram retiradas da internet, algumas constam em meus álbuns no Pinterest

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Vamos ter um Gato !

Clecienne Giacomin

Você realmente está preparado para este momento e decisão?


Melhor que um Gato,
Somente Dois ou Mais Gatos

A vontade de ter um animalzinho em casa é grande, ainda mais se for um filhotinho gordinho, fofinho, de pelos suaves e grandes olhos redondos, mas para o bem estar da Família e do animal avalie bem se você tem condições de ter um Gato (um cão, uma calopsita, um lagarto) em casa.


Antes de Adotar

A adoção de um Animal (seja qual for) é uma decisão que deve ser pensada, discutida, aceita, planejada e compartilhada por todos os membros da Família. Infelizmente a não aceitação por parte de algum membro da família é um dos fatores que levam a devolução para protetores/ONG ou ao abandono dos animais. É muito triste lidar com a devolução de animais, estes se sentem deprimidos, abandonados e muitos já não são mais filhotes fofinhos e terão poucas chances de serem adotados novamente. Leve em consideração que um Gato pode viver mais de 15 anos, imagine que neste tempo você pode mudar de casa; pode casar, descasar, ter filhos, adotar filhos; e estas mudanças também levam muitas pessoas a abandonarem seus animais como se fossem uma peça a ser descartada (infelizmente). Tem consciência que ao adotar você se torna responsável por uma VIDA? Neste período você terá despesas com ração de boa qualidade[i] (opte por premium ou super premium), com vacinas, antiparasitários, anti-pulgas, consultas anuais com o veterinário, exames de rotina, doenças que surgem com a idade, urgências, internações. Animais são fontes de carinho, amor e de muitas despesas.

Avalie também se alguém da família possui alergia, pois independente do tamanho dos pelos ou mesmo da ausência de pelos, gatos podem causar alergias, em especial as respiratórias que estão relacionadas a uma proteína presente na saliva do Gato (as pessoas são alérgicas a esta proteína que fica no pelo do Gato quando este se lambe, portanto raças sem pelo como a Sphynx e a Dom Sphynx também podem causar reações alérgicas).[ii]

Tendo crianças ou idosos em casa, avalie qual o melhor temperamento felino para a convivência, estude a possibilidade de adotar um Gato adulto, já com a personalidade e temperamento formados, evitando possíveis problemas de convivência no futuro.

Ainda firme no proposito de ter um Gato?


Preparando a Casa

Antes de escolher seu novo Companheiro leve em consideração que ele vai precisar de um local para fazer as suas necessidades, um canto tranquilo e reservado para ter a sua bandeja/caixa sanitária; um local afastado do anterior para ter seu pote de ração e o seu pote de água, e um local confortável para dormir (apesar de que ele vai escolher outro local ou até mesmo a cama de um sortudo da casa).

Gatos gostam de arranhar, na verdade eles precisam arranhar para retirar a superfície morta de suas unhas e mantê-las afiadas, tenha arranhadores disponíveis e atraentes e prepare-se para ter sofás, poltronas, pufes, box de camas devidamente customizados. Gatos também precisam exercitar os seus jogos de caça, tenha muitos brinquedos, mas não fique desapontado se o Gato preferir as caixas de papelão, as bolinhas de papel e os canudinhos de refrigerantes (cuidado com elásticos e cordões, alguns Gatos costumam devorar estas presas que podem causar obstrução intestinal). Gatos gostam de altura e de observar o ambiente do alto, mantenha seus enfeites de estimação devidamente guardados para evitar vê-los aos cacos.


Outro tópico é a segurança da casa para que o Gato não tenha acesso a Rua ou não caia das janelas. Apartamentos devem ter TODAS as suas Janelas, Basculantes, varandas teladas. As telas de proteção vão impedir que o Gato caia ou pule atrás de alguma presa voadora. Caso more em casa, estude as possíveis rotas de fuga e cuidando para que estas sejam eliminadas com muros altos, obstáculos a 45° ou telas por cima do quintal e áreas de luz. Acreditem, Gatos são Ninjas na arte de escapar. No caso de Sobrados ou casas com mais andares[iii], tele as janelas superiores, não permita que o Gato tenha acesso ao telhado ou possa sofrer uma queda. (parece que estou sendo repetitiva? Estou sim, pois quero ter certeza que vão entender a seriedade destes cuidados).

Entendam: Gatos não precisam de dar um passeio pela rua, não precisam de dar um rolê pelos telhados, não precisam espairecer em outras cercanias. Nas ruas eles são vitimas de violência, são atropelados, podem pegar uma doença contagiosa, sendo que algumas são fatais. E se o Gato ou Gata não for castrado, ainda há a possibilidade de uma gravidez indesejada (outro fator para um grande número de abandonos).



Decisão tomada, família contente, casa preparada, hora de escolher o novo membro Felino da Família.



Um conselho de quem já teve muitos Gatos, de quem acompanha a vida de muitas Protetoras a anos: Não se deixe levar apenas pela beleza e exuberância do peludo. Quando compramos um objeto, uma roupa ou acessório buscamos o mais belo, o mais vistoso, porém com animais não haja pelo impulso e leve em consideração outros pontos. Ao adotar (até mesmo ao comprar) um animal deve-se considerar também o TEMPERAMENTO e o HISTÓRICO dele. Deve-se avaliar se o animal irá se adaptar a rotina da casa, a família e se é o tipo de Gato que você deseja: experto, brincalhão, calmo, relaxado, espoleta, briguento, sério, preguiçoso, atrapalhado, amável, companheiro, assustado, medroso, irritado dentre tantos traços de personalidade e temperamento. Leve em consideração que a forma como foram criados, a mistura de raças, podem afetar a personalidade do Gatinho.


Faça uma lista das características que gostaria de ter no seu novo companheiro e converse com a responsável pela Adoção, visite o abrigo e conheça os Gatos disponíveis, você terá assim um verdadeiro companheiro. Caso opte por ter um Gato de um Gatil, com uma raça que você seja apaixonado, leia muito sobre as características e personalidade da raça, conheça seus problemas de comportamento e os possíveis problemas/doenças genéticos. Busque informação sobre o Criador, cheque a quais entidades de criadores ele está filiado e se não há situações desabonadoras.

Antes de levar um animal para a sua casa, certifique-se da saúde dele. As ONGs mais bem estruturadas só colocam para adoção animais previamente avaliados por médicos veterinários e submetidos a uma bateria de exames descartando a existência de problemas como dermatites, fungo, infecções como a rinotraqueíte, testados para  FeLV (Leucemia Felina) e FIV (AIDS Felina); depois eles serão tratados se necessário, vermifugados, vacinados e castrados. Mas, reconheço que nem todo protetor ou ONG tem estrutura para desenvolver este trabalho então tenha uma lista do que perguntar e observar com o responsável pelo processo de adoção:

- O Gato que escolhi já está Castrado, foi vacinado (quais as doses e tipo de vacina), peça a Carteirinha de vacinação ou atestado com a assinatura do médico veterinário, adesivos colados e carimbo;

- no caso de um filhote, ele está sempre disposto e brincalhão e se seus olhos ficam abertos e brilhantes?

- Apresenta alguma restrição de convivência com outros animais ou com crianças? Ele apresenta algum tipo de agressividade ou medo a alguma situação especifica. (Gatinhos que sofreram maus tratos as vezes precisam de mais tempo para adaptação e maiores cuidados com o ambiente);

- Apresenta algum sintoma de doença? Secreção ocular e/ou nasal, espirros, ele precisa de algum cuidado médico especial?


É muito importante verificar as condições de saúde do Gato, pois o Peludo pode vir a precisar de algum tratamento após a adoção, e é você que deverá fazer frente as despesas. Deve-se considerar ainda que nos apegamos aos peludos, tomamos de amor  e lidar com doenças e partidas inesperadas é muito doloroso.

Enxoval Básico para o Novo Gato:

- Bandeja Sanitária;
- Granulado Sanitário (areia para Gatos);
- Comedouro e Pote de água;
- Ração de boa qualidade;
- Caminha e cobertor (alguns Gatos amam dormir cobertos);
- Caixa de Transporte;
- Arranhador, bolinhas e brinquedos

Vai Adotar um Filhote ou um Adulto, qual escolher? Vai adotar um, já pensou em adotar dois juntos? Creio que temos assunto para outra coluna.





[i] Este é tópico para outra coluna de tão extenso
[ii] Em caso de pessoa com alergia respiratória estude a possibilidade de adotar um Gato Siberiano, o único com taxas tão reduzidas desta proteína que são considerados hipoalergênicos.

[iii] No caso de casas com mais de um andar, tenha ao menos uma bandeja sanitária em cada piso.
[iv] As imagens 4, 5, 6, 7, 8 foram retiradas do álbum Pinterest; https://br.pinterest.com/clecienne/jardins-e-ideias/
As demais são de Clecienne Giacomin.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Mercado Negro

Raphael Villa


Vitrines de shoppings (mesmo com a proibição da exposição nas mesmas), feiras de beira de estrada, anúncios na internet, canis em situações precárias, enfim, são tantos lugares dedicados ao "comércio" de pets que muitos acabam desacreditando na criação responsável.
O comércio ilegal de pets se tornou um câncer na nossa sociedade. É difícil mensurar o lucro que os de má índole tem com esse tipo de negócio, mas se levarmos em conta que o tráfico e comércio de animais silvestres, terceira atividade ilícita mais lucrativa do mundo,  gera mundialmente 10 bilhões de dólares por ano - sendo que o Brasil corresponde a 15% desse total, aproximadamente 1,5 bilhão de dólares - percebemos que comercializar pets acaba por ser um negócio rentável.

Acaba que a conclusão é a seguinte: Uma parcela dos 106,2 milhões de pets do Brasil (números da ABINPET) vieram desse mercado negro, já que por falta de conhecimento - e na minha opinião, uma pitada de ignorância - alguns tutores financiam criadores (Leia 10 Dicas para Identificar um Criador de "Fundo de Quintal") e protetores irresponsáveis.
Na cidade de São Paulo, foi sancionada em 16 de julho de 2007 a LEI Nº 14.483 - Lei do Comércio de Cães e Gatos, que regulamenta a venda de cães e gatos no varejo, bem como doações em eventos desenfreados. A mesma, proíbe a venda de pets em vitrines e a doação sem castração e feiras ao ar livre, mas principalmente, protege a reprodução, criação e adoção LEGAL e RESPONSÁVEL.

Em Manaus, uma lei de mesmo pronunciamento também foi sancionada, porém até o ano de 2013 (últimos dados que encontrei), era ignorada, não fiscalizada e criticada por "criadores" e "protetores" (durante as pesquisas que fiz para a matéria, li relatos de uma "criadora" que não aprova a castração - leia Castração - pois o processo leva a obesidade e demanda maiores cuidados com os animais, BALELA. E também o relato de um protetor que achou um absurdo a proibição das feirinhas).
Entendam, venda em locais inapropriados e mega feiras de adoção trazem tutores irresponsáveis (leia POSSE RESPONSÁVEL) e não é isso que precisamos. Criadores e protetores sérios escolhem tutores para seus animais e sem sombra de dúvida dirão NÃO a quem julgarem como inapto a posse do pet.

COMO PODEMOS DIMINUIR AS INCIDÊNCIAS DE VENDA E DOAÇÃO IRRESPONSÁVEL?
Simples, procure por bons criadores que respeitam os animais e procuram sempre a melhoria de sua raça, não compre de qualquer um. E se você quiser adotar, procure por ONG'S e/ou protetores independentes que realizam seu trabalho com seriedade, sempre prezando o bem-estar do cão ou gato resgatado, para que este não volte ou conheça as ruas e a crueldade humana. Ao final, seja um bom tutor, escolha o animal que se adeque a sua rotina e a sua família, para que ele não sofra mais tarde.
Não financie o Mercado Negro de pets!!!!